Balaclava Fest 2023 entregou shows excelentes e uma ótima organização; Thus Love foi o grande nome da noite!

Foto por Felipe Andrade

Entre os itens da lista de pode/não pode levar no Balaclava Fest 2023 (que aconteceu no último domingo – 19/11 no Tokio Marine Hall) estava a capa de chuva, confesso que achei estranho pois o festival seria em um local fechado. Pois é, meus amigos, acontece que choveu na hora da entrada e a fila do lado de fora estava grande, quem levou se deu bem, eu me daria mal se não fosse a abençoada entrada lateral para a imprensa (amém).

Confesso que de todos os artistas do lineup dessa edição do Balaclava Fest eu conhecia apenas 3, mas nenhum deles sou fã assíduo, e como sempre, gosto é da surpresa, deixei para conhecer as bandas somente no ao vivo. Meus comentários sobre as apresentações serão pelo olhar de um, até então, não fã de nenhuma das bandas (mas após o festival virei fã de algumas).

Terraplana + Shower Curtain

Terraplana + Shower Curtain. Foto por Catarina Lopes

Os 40 minutos de show dos artistas que abriram o festival foram muito bem aproveitados, as bandas Terraplana e Shower Curtain entregaram muito shoegaze com boas doses de noise e arrebataram um bom público que chegou cedo para vê-los. Vi show da Terraplana no Balaclava Fest 10 anos do ano passado (naquele show sem a baixista Ste) e ficou perceptível a evolução da banda, ainda bem que dessa vez a qualidade do som estava melhor ajustada, mesmo assim, a proposta estética da sonoridade dificulta a audição do que está sendo cantado, mas isso não atrapalha em nada (um amigo até disse que gostaria que tivesse ainda mais “barulho”).

Shower Curtain, à guitarra, se mostrou feliz por estar ali e esbanjou simpatia. A canção “Meus Passos“, recém-lançada da parceria entre os artistas, foi a penúltima da apresentação, e uma das que mais agradou o público.

PVA

PVA. Foto por Catarina Lopes

Com show iniciado de forma pontual, a PVA fez muita gente dançar com seu eletrônico que me fez lembrar em alguns momentos de Noporn (uma referência brasileira), porém também soou um flerte com Kraftwerk. No final das contas é uma sonoridade bem versátil do eletrônico contemporâneo à um pouco de pós-punk, por exemplo.

Mesmo, aparentemente, não tendo uma grande parcela de fãs ali no show, o trio não se mostrou tímido, fez um show conciso, animado e até arrancou palmas acompanhando o ritmo de algumas músicas. O som não estava muito alto, o que eu achei ótimo, pois valorizou bastante a sonoridade do grupo e deu para sentir os graves de uma forma mais aveludada. O som, por vezes, soou experimental, vi rostos em desagrado, porém problema de quem não gostou.

Whitney

Whitney. Foto por Felipe Andrade

Primeiro show do palco principal do evento, os estadunidenses da Whitney foram os primeiros a ter uma boa parcela do público cantando junto, não é à toa que a casa encheu consideravelmente logo antes do show. Os 6 músicos demonstraram domínio do palco e estavam em perfeita sintonia, mas dois deles foram os grandes destaques: a voz afinada e impecável de Julien Ehrlich e JJ Kirkpatrick que fez toda a diferença principalmente quando tocou trompete (ele também toca na banda de Phoebe Bridgers). Entre todas as bandas do dia, essa foi a que trouxe uma sonoridade que menos conversou com o festival, às vezes um Maroon 5 melhorado, às vezes parecia as mais românticas do Bruno Mars, teve flertes com indie folk também, a sonoridade se mostrou versátil e flutuou entre estilos, e isso é bem legal. A canção “No Woman” foi a que levantou o público, e como disse antes, o trompete fez toda a diferença novamente.

Foi o show mais gostoso até então, mas ao final dele eu sabia que nenhuma das três apresentações seria a minha preferida do dia.

Hatchie

Hatchie. Foto por Catarina Lopes

Ao meu redor fãs ansiosos para o início da apresentação e, logo na primeira música, eles soltaram a voz e acompanharam Harriette Pilbeam no coro. Nas duas primeiras músicas o som não estava tão regulado, mas da terceira em diante foi ajustado e curiosamente coincidiu do show entrar no ritmo e a dupla foi demonstrando bastante sintonia.

Com Indie dream pop consistente e envolvente, foi impossível ouvir e ficar parado, as meninas levantaram o público por diversas vezes, que cantaram juntos diversas canções e sempre acompanhavam as músicas com palmas. Show excelente e completo mesmo sendo feitos por apenas duas pessoas, já que Winter assumiu a guitarra para esse show.

American Football

American Football. Foto por Catarina Lopes

Mesmo não sendo a atração principal do evento, a gente sabia que American Football era sim a principal banda do dia, a que trouxe mais público, afinal, essa foi a primeira vez que o grupo fez show no Brasil. A apresentação foi muito boa, entre todos do dia, era o show que eu mais queria ver, e não me decepcionei. A comoção do público foi nítida, vi homens de 40 anos chorando descompassadamente assim como um fã de Taylor Swift vendo seu ídolo pela primeira vez, assim como um homem chorando no estádio após ver seu time ser campeão. Eu acho linda essa capacidade da música de mexer com a gente, de aflorar sentimentos. Ver a reação das pessoas assistindo sua banda preferida talvez tenha sido uma das melhores coisas desse show.

Uma apresentação de 1h30 cheia dos grandes sucessos da banda, com direito a charminho na hora do bis, com os fãs cantando em coro e os músicos entregando bem, diferente da noite anterior, onde Mike Kinsella fez um sideshow na Casa Rockambole (com seu projeto Owen) e alguns amigos que estavam presentes disseram que ele estava visivelmente bêbado e errou diversas canções.

O ponto negativo para mim nesse show foi a iluminação, pouco inventiva e faltou diversidade também, afinal em pelo menos 4 músicas o esquema de luz foi exatamente o mesmo.

Thus Love

Thus Love. Foto por Catarina Lopes

Eu, como viúvo de Shame no Balaclava Fest (por mim teria em toda edição), não teria como não gostar do show da Thus Love. Quando o grave do baixo bateu já nos primeiros segundos da primeira música a gente já fica impactado, e no restante da canção então nem se fala, que groove meus amigos, que groove. Com uma energia surreal, o trio de queer pós-punk entregou o melhor show do dia, eu fui completamente arrebatado pela sonoridade e pela entrega na performance dos músicos, que espetáculo. Mereciam sim tocar no palco principal, porém, o palco menor trouxe muito mais proximidade com o público e isso acendeu a chama na galera, acredito que não tenha uma única pessoa que não gostou do show.

Echo Marshall (guitarra/vocal) chamou o público várias vezes (não que precisasse), pulou, se jogou no chão, quase pulou a grade, subiu na caixa de som e ainda citou Marcos Valle. Lu Racine ditou todo o ritmo do show com energia incomparável na bateria, e Ally J (que substituiu Nathaniel van Osdol) simplesmente fodástica, as linhas de baixo absurdamente maravilhosas! Eu estava bem próximo do palco, por ali a galera curtiu muito, mas no geral achei o público bem comportado nesse show, poderiam ter agitado mais, pulado mais e até feito rodinhas em algumas músicas, mas né, cada um curte de uma forma.

Unknown Mortal Orchestra

Unknown Mortal Orchestra. Foto por Catarina Lopes

O último show do dia fechou o festival em grande estilo. O grupo neozelandês Unknown Mortal Orchestra trouxe suas músicas mais famosas para o festival e agradou seus fãs, além de conquistar novos, como eu. Na apresentação, prevaleceu uma versatilidade nas sonoridades, algumas músicas mais trabalhadas instrumentalmente, tocadas de forma mais técnica, outras já puxaram mais para o rock. Buscando uma referência similar para quem não conhece a banda eu digo que o grupo me lembrou Dave Matthews Band, principalmente pelas melodias e pela voz de Ruban Nielson que, aliás, chegou a descer do palco com sua guitarra e dar uma volta grande pela pista em meio aos fãs.

Apesar de alguns momentos estar um pouco inaudível entender o que era cantando, isso não atrapalhou a apresentação que conquistou todo mundo, inclusive o trio Thus Love que estava nas cadeiras altas da casa de show pirando na apresentação da Unknown Mortal Orchestra.

Organização

Essa foi a quarta edição do Balaclava Fest que eu fui (duas vezes na Audio e uma vez na antiga RedBull Station), todas eu gostei bastante da organização, mas entre elas essa edição é a que teve o melhor espaço. O palco principal tem uma área ampla onde comportava confortavelmente todos os presentes no evento, além disso, o palco alto facilitou a visão de qualquer área do espaço. Bares nas laterais com pouca (às vezes nenhuma) fila, banheiros também limpos (dentro do possível) durante todo o evento, sempre com papel higiênico e para secar as mãos. Apesar do dia não estar tão quente, fiquei com receio de passar calor, porém o ar condicionado no local deu conta e o clima ficou ameno e agradável. Os preços das comidas, bebidas e merchs não eram baratos, porém é algo que a gente já espera em festivais. A fila para entrar ficou grande, e como estava chovendo no início, algumas pessoas acabaram adentrando ao evento bem molhadas.

O palco secundário foi “improvisado” no hall de entrada do evento, então todos que entravam já davam de cara com ele, o que também acaba gerando um acúmulo maior de pessoas. Como ali não é um local habitual para ter show, a acústica não é adequada, mas a produção se virou bem no que era possível, porém as caixas de som nas pontas do palco atrapalharam a visão de quem estava em diagonal (pois a estrutura do teto não permitia deixar as caixas suspensas). O palco também era baixo, quase ao nível do chão, quem era mais baixinho com certeza não viu nada.

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