
Últimos shows do Boogarins em 2023 renderam duas noites lotadas na Casa Rockambole em São Paulo, mas não foi por menos, afinal shows mais que especiais. Na sexta-feira (15/12), a banda goiana tocou canções dos discos “Manual” (2015) e “Lá Vem a Morte” (2017). Já no sábado (16/12), o grupo apresentou músicas dos álbuns “Sombrou Dúvida” (2019) e “Manchaca Vol. 1 e 2” (2020 e 2021). A primeira noite esgotou e fiquei sem, mas no segundo dia eu estava lá acompanhado de Catarina Lopes (que fez as fotos do show) e de Aldi Eller, que convidei para colaborar nessa matéria com suas impressões sobre as apresentações, sim, apresentações, pois a noite contou com abertura do paraibano Vieira.
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Por Aldi Eller
A brisa e o vento

A noite começou com show na área externa da Casa Rockambole, intimista, no coreto.
A voz de Vieira soou como uma brisa, o que estava faltando na noite de sábado em São Paulo, com seus quase 30°. Mesmo ofegante, o público não resistiu ao ritmo envolvente e a voz de “brisa” do paraibano. Era como olhar para o rosto de uma pessoa depois de um esbarrão e soltar um sorriso amigável, sabe?
“Posso ser um simples desconhecido, mas depois da música que a gente ultrapassa a parada…” – disse Vieira, minutos antes de convidar para o palco, diretamente de Recife, Mariana Rocha.
Ainda na área externa, a voz de Mariana chegou num turbilhão, surpreendendo positivamente todos os presentes. Estávamos parados, a música é quem dançava e, como não se recusa uma dança, dançávamos tal qual as folhas de uma árvore ao vento. Foi quase hipnotizante.
Rocha o vento e Vieira a brisa, nem se quer destoaram na troca sob o palco, a vibe sustentou-se linear.
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Águas profundas

Será que a brisa de Vieira e a ventania da Mariana desestabilizaram Boogarins para justificar o atraso? Isso até o jogo de luzes começar a dançar com a música “Bolero” de Maurice Ravel.
Mas no fim, ou melhor, no início; quem liga? Boogarins subiu ao palco interno – o ambiente sempre me remete a um submarino, art nouveau – para fazer o seu último show do ano. Que atraso? Já esqueci.
A música ressoava como uma chuvinha gostosa ao entardecer depois de um dia de calor intenso. E Dinho cantava sorrindo! Já na segunda música o público gritava como se fosse a despedida, aquele momento em que usamos o que nos resta de fôlego para pedir bis. Era o início do show, mas já estávamos em águas profundas. Se os peixes estavam hipnotizados eu não sei, mas a tripulação estava.
Músicas antes nunca apresentadas ao vivo, músicas não ensaiadas, Vieira subindo ao palco mais uma vez, agora junto à Boogarins… era pra sentir, não é possível descrever. As pessoas se calavam pra ouvir. Vieira pode colocar o check na sua listinha da noite.
We Need to Talk About Kevin Iluminação
Tivemos uma prévia antes do show tomar início de fato, mas às vezes, no calor do momento, cantando as músicas com todo o ar dos pulmões, passava despercebido. Porém, não levou muito tempo para que todos notassem a rítmica impecável entre a iluminação e a música.
E teve bis!
E acabou com a mesma energia em que tudo começou. Depois de uma breve reunião, enquanto o público clamava por mais,
Obs: foi impressão ou o Benke fez sinal com o Dinho para encerrarem a última música antes do que deveria?









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Eu, Polvo Manco, particularmente queria ter ido no show de sexta-feira, pois sou fã incondicional de “Manual” e “Lá Vem a Morte“, mas fiquei extremamente feliz de ter ido a segunda noite de shows, pois vimos raridades que talvez nunca sejam tocadas novamente (mas espero que sejam). Mas para quem ficou curioso com o setlist das apresentações, o grande Kauã Nascimento, o maior fã de Boogarins que conheço, fez uma playlist com as canções de cada noite, só clicar aqui Manual + Lá Vem a Morte / Sombrou Dúvida + Manchaca (Vol 1 e 2).
Se não bastasse as playlists do nosso boogarinboy, ele também tem um canal incrível no youtube com conteúdos da banda, por lá você vai encontrar diversos vídeos (que serão postados periodicamente) dessa raridade de show que aconteceu na Casa Rockambole.
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