
Titãs talvez seja a maior banda de rock da história do Brasil ao lado de Sepultura, porém muito mais conhecida em todo o território nacional. Conheço o grupo desde criança, pois sempre estavam em aparições na TV e em trilhas de novelas, principalmente na época que muitas pessoas diziam ser a fase “meia bomba” da banda, que renderam excelentes músicas, mas não com a mesma pegada sonora de décadas atrás. Tem até quem diz que a seleção brasileira masculina de futebol perdeu a Copa do Mundo de 2006 pois o treinador Carlos Alberto Parreira escolheu a música “Epitáfio” como tema do time naquela competição kkkkk
Mas eu virei fã dos Titãs somente após 2014, quando ouvi o disco “Nheengatu“, gostei muito e fui voltando na linha do tempo da banda para ouvir os trabalhos anteriores. Caso não tenha ouvido esse álbum ouça, pois é excelente.
Confesso que eu fiquei muito ansioso por esse show, não só pela banda em si, mas também pela primeira vez cobrindo um show em estádio. Ao final de tudo fiquei extremamente grato por toda essa experiência do dia, mas obviamente o show é que foi o grande espetáculo!
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“Diversão é solução, sim / Diversão é solução pra mim” e para todos que estavam no Allianz Parque quando Paulo Miklos (com seu look maravilhoso) abriu o show com uma das canções mais emblemáticas da banda, o estádio veio abaixo. Dali para frente foi hit atrás de hit, ao todo foram 36 canções, ou seja, 36 hits.

Todos viram a grandiosidade que seria esse espetáculo ao olhar o palco SURREAL, por fotos achei lindo, mas pessoalmente me sinto minúsculo naquela imensidão de telões gigantes. A altura também era ótima, quem estava mais distante com certeza teve uma ótima visão do show.
Depois de Miklos, Arnaldo Antunes e Sérgio Britto cantaram “Lugar Nenhum” e “Desordem“, respectivamente. Logo após, Branco Mello com sua voz rouca, devido a uma cirurgia realizada na região da garganta, entoou “Desordem” com o público acompanhando em coro. Apesar da voz, Mello sustentou muito bem durante todo o show, ainda esbanjou simpatia e presença de palco, até minha amiga Catarina comentou o quão belo foi o respeito da banda com a voz de Branco Mello, sabendo das limitações, mas não limitando o amigo de décadas de se apresentar na turnê. As cinco primeiras canções foram comandadas cada qual por um músico, e Nando Reis fechou a sessão com “Igreja“.

Muito se falou da transmissão do show da Rosalía no Lollapalooza (eu também amei), mas essa turnê do Titãs também está de parabéns. Os mega-telões projetavam a banda a todo momento, mas o diferencial estava nos músicos interagindo com a câmera e fazendo performances. Todos se mostraram extremamente confortáveis com isso, mas Paulo Miklos sobressaiu-se nesse ponto, talvez a carreira de ator tenha contribuído bastante. Arnaldo Antunes, meu Titã favorito, também deu um show à parte, com presença e voz impecáveis, foi incrível na canção “O Pulso“, que mesmo não sendo muito fácil de cantar, teve coro do público acompanhando.
“Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas” com Nando Reis e “Cabeça Dinossauro” com Branco Mello foram duas músicas que me deixaram surpreso com a qualidade que foram apresentadas, inclusive pela excelente performance de Charles Gavin na bateria. As duas canções encerraram a primeira parte do show, que durou em torno de 1h e teve muita música e pouca falação.

Um segundo set foi apresentado em formato acústico, com todos os músicos sentados e Sérgio Britto à frente em um belíssimo piano na cor vermelha. “Epitáfio“, que abriu o formato acústico, gerou um coro lindo em todo o estádio, não havia uma pessoa sequer que não estava acompanhando Britto ao vocal. Nando com “Os Cegos do Castelo” e Miklos com “Pra Dizer Adeus” também ganharam uma ótima participação do público.
No acústico presenciamos um momento muito belo com a participação de Alice Fromer, filha de Marcelo Fromer (ex-guitarrista da banda que faleceu em 2001). A jovem, ao lado de Antunes, cantou “Não Vou Me Adaptar” e “Toda Cor“, composta por seu pai junto com Ciro Pessoa e Carlos Barmak. Alice trabalha como pedagoga, mesmo não sendo cantora, não fez feio e sustentou muito bem a responsabilidade de subir no palco. Para a turnê, o músico Liminha foi quem ficou responsável pela guitarra que antes era de Marcelo Fromer.

A parte acústica foi linda e me fez prestar mais atenção no público ao redor composto por todas as idades, crianças (algumas até cantando junto), adolescentes, jovens adultos, pessoas de meia idade, idosos, famílias inteiras e grupos de amigos. É, Dinho Ouro Preto, existe sim uma “banda que une todas as tribos como foi o Norvana“.
O terceiro set do show foi composto por 13 canções, todas clássicas. Nando Reis abriu com “Família” e “Querem Meu Sangue“, Paulo Miklos cantou, dançou, pulou, tocou saxofone e finalizou com “Bichos Escrotos“, uma das grandes performances da noite. Já havia passado duas horas de show e tinha mais, muito mais. Sérgio Britto foi impecável na voz, o que ele canta é brincadeira, a voz ainda parece de muleke de tão bem cuidada que foi no decorrer dos anos. Nas faixas “Polícia” e “AAUU“, Britto levou o estádio todo ao delírio.
Tony Bellotto em plena forma e máxima energia na guitarra foi essencial na condução da sonoridade e no ritmo. E não menos importante, Charles Gavin comandou tudo lá de trás com uma técnica excelente e toda sua potência. Lembra que comentei sobre a grandiosidade de Titãs e Sepultura no começo? Então, Gavin estava usando uma camiseta do disco “Roots“, lançado em 1996 pelo Sepultura, assim como nas duas noites anteriores.
O palco era bem grande, assim como a quantidade de integrantes, mas todos dominaram bem o espaço de uma forma organizada. Em certos momentos os 6 se juntavam num canto ou outro e performavam a música todos juntinhos, tudo muito bem ensaiado.

O bis contou com “Mauro e Quitéria” e “Miséria“, além de “Marvin“, onde Nando Reis puxou uns dos maiores coros da noite. No final, “Sonífera Ilha” colocou todo mundo pra pular, dançar e se divertir ainda mais, últimos momentos do show em puro êxtase. A apresentação teve 2h45 de duração, acho que foi o show mais longo que já fui, mas curiosamente passou muito rápido também. Foi gratificante estar presente nesse show e ver essa reunião de músicos que fazem parte da história musical do Brasil, vê-los todos juntos pelo menos uma vez. Os anos passaram, mas ainda estão impecáveis.
A turnê foi pra dizer adeus, mas nunca jamais.
Para ter uma outra visão sobre a apresentação, pedi a opinião de meu amigo Tacyo que também estava no show de despedida:
“Apesar de empolgante, o bloco inicial do show soou monótono ao disparar músicas parecidas entre si por muito tempo, que teve o seu valor por apresentar a cronologia criativa da banda ao longo dos anos, mas pecou em não cativar o espectador mais distante dos b-sides e das letras. O segundo bloco do show, acústico, parece moldado para cativar o público de um show de grande escala, com Sérgio Britto cantando hits absolutos no piano, com a plateia num singalong. Funcionou pela emoção. O final do show reuniu vários hits da carreira da banda paulistana, uma grande quantidade de hits, aliás. O setlist foi bem pensado nesse sentido, pois contou uma história dos últimos 41 anos de atividade dos Titãs, através de uma viagem pela sonoridade e lírica dos vários álbuns já lançados nesses anos.
Músicas favoritas ao vivo: “Jesus Não Tem Dente No País Dos Banguelas”, “O Pulso” e “Flores”.”
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Fotos por Catarina Lopes










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Organização
Eu sempre tenho algumas críticas em relação a organização dos eventos em si, mas dessa vez tenho que confessar que não encontrei críticas a isso, e te garanto que não é tentativa de fazer lobby não, realmente não me recordo de nada. Talvez o som que estava bem alto, mas como eu estava bem perto do palco isso é normal. O som não falhou nenhuma vez, não teve microfonia, as luzes estavam perfeitas, palco incrível, tudo excelente! Teve sim o atraso de 10 minutos para o início do show, apesar de gostar de coisas pontuais, achei esse atraso bem aceitável.
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Imprensa
A organização e trato com a imprensa pela equipe da Trovoa Comunicação e 30e (produtora da turnê) foi excelente, entrada separada, profissionais simpáticos e solícitos, sala de imprensa e liberdade para desenvolver nosso trabalho com tranquilidade. Deixo aqui os agradecimentos a Carol Paschoal e Fabio Lopes! Também agradeço a fotógrafa Tatiane Silvestroni pelas dicas em nossa primeira vez cobrindo um evento em estádio e à Catarina Lopes que novamente topou fotografar o evento para o Polvo Manco.
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