
Em setembro de 2023 veio ao mundo o disco “Belezas São Coisas Acesas por Dentro“, da cantora, compositora e intérprete Filipe Catto. O disco, com releituras bem rock’n’roll de clássicos que ficaram conhecidos na voz de Gal Costa, veio a partir do espetáculo ao vivo, já que antes de gravar, Catto fez diversos shows com o repertório. Confesso que nunca fui um grande fã de regravações de canções, sempre fui bem apegado às originais, mas nesse álbum eu simplesmente adorei na primeira vez que ouvi!
Depois de diversos shows, Catto encerra uma “mini tour” na rede Sesc São Paulo se apresentando no Sesc Jundiaí no dia 28/03, com ingressos esgotados! Aproveitei a deixa desse show aqui na minha cidade para fazer umas perguntinhas rápidas para ela na volta do quadro Mini Mini Entrevistas, agora na edição #05.
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Polvo – Gal Costa é uma das maiores intérpretes da história da música brasileira, então reinterpretar essas canções é um desafio ainda maior. O que te motivou a assumir essa responsabilidade e estar disposta a enfrentar críticas (caso não fosse bem aceito pelo público)?
Catto: Eu acho que os trabalhos acontecem magicamente sozinhos. As grandes coisas, as mais divertidas e mais legais que eu já fiz apareceram do nada. Esse show foi um convite do Sesc São Paulo para homenagear Gal Costa, não era para ser um disco. E eu fiquei “super assim”, meu Deus, Gal Costa, pois sou muito fã dela, muito mesmo! E quando eu sou muito fã de uma artista, geralmente evito fazer homenagens, pois aquilo está tão impresso dentro de mim que prefiro deixar só dentro de mim mesmo. Nesse caso, achei que seria uma oportunidade muito divertida poder reunir a banda, fazer um show de rock and roll com guitarra, baixo e bateria, cantando aquele repertório que amo e ir pro palco. Tem a coisa do disco, é uma coisa que sedimenta mais um conceito dentro da nossa narrativa de trabalho, e existe o palco, que pra mim, é um lugar muito livre. Já fiz muitas coisas no palco, fiz vários projetos, cantei vários compositores, o palco pra mim é um lugar de vida, de experimentação, então quando me chamaram pra fazer o show, pra mim aquilo era mais uma brincadeira, um divertimento e uma forma de me expressar mais do que qualquer outra coisa. Quando estreamos o show vimos que havia se tornado uma coisa muito íntima, pessoal, muito visceral, que o disco fez todo o sentido. A princípio era pra ser um EP, pois tinha percebido que aquele era um grande momento, tinha sido um momento interessante da minha vida, eu queria registrar aquilo em áudio. Então fomos fazendo a lista do EP e não era possível deixar certas músicas de fora, quando vimos tínhamos um disco de dez músicas e que ele obedecia a lógica dramatúrgica do show, começando com “Lágrimas Negras” e as músicas se entrelaçando, essas coisas todas que vêm de uma linguagem do palco mesmo. A gente acabou gravando o disco ao vivo, sem clique, sem nada, para poder captar essa energia do ao vivo, sabe, da presença.
Polvo: Vi shows seus em 2017 e 2018, ambos com muitas canções do álbum “CATTO” (2017), desde então muitas das apresentações eram baseadas nesse repertório. Como é voltar aos palcos agora com esse novo disco e como está sendo a aceitação do público nas apresentações?
Catto: Está sendo uma coisa muito positiva, eu adoro ser intérprete. Acho que meu trabalho é muito abrangente, gosto muito de cantar. Existe uma camada minha que é a cantora, existe a camada da compositora, da produtora musical e existe a camada da escritora das letras, então acho que cada momento tem a sua profundidade e naquele momento eu estava vivendo um período muito, “sei lá”, triste da minha vida, muito duro, estava muito deprê ainda, e esse show foi uma oportunidade de poder me iluminar mesmo, acho que o disco chama “Beleza São Coisas Acesas por Dentro” pois esse trabalho me tirou de uma grande bad. Está sendo maravilhoso, eu não sinto que é alguma coisa diferente pra mim, sinto que é algo que faz parte da minha linguagem de ser intérprete e poder absorver e vivenciar essas músicas que são tão importantes pra mim, vem sendo uma delícia. Eu acho que é isso, está sendo muito gostoso, muito prazeroso fazer isso, adoro quando o trabalho tem essa camada da diversão. É divertido, é muito gostoso cantar essas músicas com as pessoas.
Polvo: Achei esse disco bem rock’n’roll, muito enérgico e vibrante. Entre as canções do repertório, qual foi aquela mais difícil de regravar por uma questão de técnica? E qual a mais difícil de regravar pois é a que mais te emociona?
Catto: É um disco de rock, né, então queria muito que fosse um disco de rock essencial com baixo, guitarra e bateria, muita ambiência, que é o tipo de música que eu gosto de escutar. É muito bom poder fazer isso no palco também. Acho que todas as músicas foram muito verdadeiras de gravar, mas também não foram muito difíceis pois vínhamos realizando vários shows, então aquele repertório já estava muito incorporado. “Negro Amor”, “Nada Mais”, “Tigresa” e “Vaca Profana” são talvez as músicas mais simbólicas pra mim, que falam muito de mim, de uma maneira muito profunda. Um disco cantando Gal, ao mesmo tempo, é um disco cantando os compositores que a Gal cantava, né? Caetano, (Bob) Dylan, Junio Barreto…, então é uma declaração de amor à música brasileira, ser uma cantora brasileira, poder ter esse repertório na minha boca, por direito até, de certa forma, por ser brasileira. Acho que essas canções são hinos da nossa cultura, e depois de um tempo me sentindo bastante violentada pela cultura vigente, dentro do que vivemos no desgoverno passado, é muito simbólico poder voltar como uma cantora 100% brasileira, cantando um repertório que diz respeito a mim, mas também à todas as pessoas da minha comunidade e ao Brasil, enquanto inconsciente coletivo.
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Além do Sesc Jundiaí, a cantora ainda faz shows em São Paulo no Cine Joia, Picles e Festival Turá, no Rio de Janeiro no Clube Manouche e em Fortaleza no Cine-Teatro São Luiz. Ingressos aqui: https://linktr.ee/filipecatto
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