Neste último final de semana rolou mais uma edição incrível do Festival 5 Bandas, idealizado por Alexandre Giglio do Minuto Indie.

Festival 5 Bandas – Foto por KIMMI

RESENHA POR FERNANDA BORGES.

O Festival 5 Bandas aconteceu na Casa Rockambole em São Paulo, e o lineup e organização renderam um saldo muito positivo com muitas descobertas boas em cima do palco. E fora dele também.

A noite contou com as bandas Aquino, Monstro Bom, Adorável Clichê, Crizin da Z.O e Boogarins com mais uma Sessão de Cura e Libertação, com participação da diva Ava Rocha 💐, além do DJ Set do pessoal da Cavaca Records.

A casa estava lotada com o sold out, mas não ao ponto de ficar abarrotada de gente, tornando a experiência mais tranquila, acerto da organização que deu show! O público diverso e a qualidade do som trouxeram uma atmosfera excelente para o festival. Infelizmente o atraso do primeiro show influenciou os horários de todos os outros, mas nada que estragasse a experiência.

Conheci a Aquino e a Adorável Clichê através das playlists semanais do Polvo Manco (eu sou #polvolover 🐙) e foi massa demais rever a Aquino nessa nova fase, nesse mesmo palco e ter ficado totalmente obcecada na Adorável Clichê depois desse show intenso (não paro de ouvir “sonhos que nunca morrem”). E menção honrosa ao DJ Set da Cavaca Records que entregou diversidade sonora, me fazendo dar shazam algumas boas vezes. Incríveeeeeeeel!


Mas bora lá falar dos shows que rolaram nesse dia.

AQUINO

Aquino – Foto por KIMMI

O trio carioca começou a noite trazendo aquele calor gostoso do Rio de Janeiro com muita alegria, sincronia, iluminação com cores quentes&lindas e claro, muuuuito groove!!! A banda tem Leandro Bessa na bateria, João Soto no baixo e vocais e João Vazquez na guitarra e vocais. Com uma lapada de 3 músicas seguidas, os divos chegaram agitando tudo, fazendo grande parte do público pular e cantar juntos e finalizaram essa tríade com a música “Como Você”, que me lembrou muito a canção “Nega Música” de Itamar Assumpção numa camada ainda mais calminha, mas bem pop dançante em cores quentes intensifies sabe?, me deixou hipnotizada.

Simplesmente a conexão dos Joões em todas as músicas fez total diferença, seguiram cantando e performando juntos, bem animados na mais pura fritação carregada de ritmos e grooves intensos vindos da bateria se encaixando no todo. Já na reta final, tocaram “Camisa do Flamengo” e, claro, fizeram um improviso divertido com os times paulistas substituindo o Flamengo rs. Até rolou no palco uma bandeira do Corinthians. Finalizaram o show com a música “302” numa versão mais tropical e acelerada, totalmente dedicada para a sobrinha de Leandro que havia nascido exatamente naquele dia (titio do ano 🌹). E não teve outra, ele quebrou tudo na batera e com certeza esse foi um baita primeiro show para o Festival 5 Bandas.

Sem dúvidas, os meninos mandaram muito. Quem já conhecia amou, e quem não conhecia, com certeza, teve essa boa surpresa. Eu adoraria ver esse show acompanhado de um naipe de metais, combinaria à beça em um line up de Festival a céu aberto num comecinho de tarde viu?!

MONSTRO BOM

Monstro Bom – Foto por KIMMI

A banda paulista chegou bem tímida para o segundo show da noite, mas logo tudo foi se encaixando, principalmente com a voz doce e marcante da Gabi, tornando o show uma grata surpresa aconchegante em cores roxinhas 💟. Mesmo tendo ouvido falar por aí, ainda não tinha rolado a oportunidade ver esse show, e neste último sábado eu realmente senti essa ambivalência do nome da banda.

No início senti uma pegada mais intimista, mais tranquila e até achei um som fofo recheado de timbres lindos das guitas que certamente pareciam brilhar como glitters caindo no modo câmera lenta. Mas logo em seguida deu pra sentir que os músicos estavam mais confortáveis em cima do palco, prontos pra dar uma acelerada no ritmo carregado com muito groove e guitarras, bem daquele jeitinho indie gostoso. A galera da frente já estava bem animada cantando os refrões a plenos pulmões. Foi tudo!

A Monstro Bom contou com Gabrielli Motta na voz e na guitarra, Fernando Zukerman vulgo Starknoten na guitarra, Ian Ferreira na bateria e Igor Beares no baixo.

ADORÁVEL CLICHÊ

Adorável Clichê – Foto por KIMMI

Honestamente, o clima mais friozinho de sábado com certeza pediu pelo shoegaze meio dream pop da Adorável Clichê, sério!!! Desde o primeiro minuto de show eu estava completamente vidrada e tudo isso por conta do toque inicial de “como era antes”, primeira canção do show, que me lembrou alguns elementos das músicas do Sala Espacial, aiai realizando nostalgia :’), embora o que veio depois não tenha absolutamente nada a ver com o Sala.

Desde o início, as músicas formavam uma atmosfera diferente e gostosa que abraçava o público, algo meio cósmico parecia se formar com a mistura das luzes, da fumaça e dos integrantes bem sincronizados e totalmente contagiados pela energia de Marlon com sua guitarra, eu definitivamente me contagiei com a energia dele e com os vocais intensos da Gabi durante tooodo o show.

A cada música o público ficava ainda mais animado, gritando (apesar do rock triste que a gente ama), alguns cantando alto e outros apenas naquele jeitinho posturado balançando a cabeça curtindo à beça. A melhor do set com certeza foi “as coisas mudam pra melhor” uma das últimas faixas do último álbum que a banda catarinense lançou no ano passado. Com certeza deu pra sacar que eles estavam muito à vontade no palco, explorando diferentes possibilidades nos sons, pedais, sobreposições e, ainda por cima, se divertindo. Massa demais, sem dúvidas, a melhor descoberta da noite para mim.

A banda contou com Gabrielle Philippi na voz, Felipe Protski na guitarra e voz, Marlon Lopes na guitarra e voz e Gabriel Geisler no baixo.

CRIZIN DA Z.O.

Crizin da Z.O. – Foto por KIMMI

Desde que os cariocas subiram no palco com tambores e atabaques, um sampler/sintetizador e um baixo com muitos pedais, já dava para saber que algo muito insano estava prestes a acontecer, e definitivamente aconteceu. Já ecoava na minha cabeça a frase “às vezes eu vejo tudo acelerado”, trecho da música “Acelerado”. E foi assim mesmo que me senti com todos os ritmos, camadas de samples com recortes musicais, o baixo totalmente eletrizante em contraste com os tambores tocando naquele instante. Contagiante!! Energizante!!

Com certeza trouxeram de volta aquele calor carioca para a Casa Rockambole, fazendo com que todo mundo ficasse imerso sonoramente com a mistura dos ritmos vindos de fontes como o punk, o funk e o samba mais underground possível com as letras mais afiadas e potentes. Honestamente, foi foda pra caralho!

Crizin da Z.O, para esse show, teve Cris Onofre nos vocais, que fez uma performance absurda, Marcelo Fiedler eletrizando tudo no baixo e synths/samples e um dos integrantes da Cidade Partida na hipnotizante percussão.

BOOGARINS part. AVA ROCHA

Boogarins- Foto por KIMMI

E pra finalizar a noite do Festival 5 Bandas, rolou mais uma inédita e totalmente imersiva Sessão de Cura e Libertação dos queridos do Boogarins. O palco foi sendo preenchido pouco a pouco com alguns elementos visuais como a iluminação (que foi incrível), com a fumaça e com a presença um a um dos integrantes, Fefel, Benke, Ynaiã e Dinho. Eu que nunca tinha presenciado uma sessão dessa, somente pelas lives no youtube, senti muitas coisas. Incrível como o som foi criando paisagens sonoras na minha cabeça, fazendo com que tudo fosse totalmente sinestésico. Dava pra sentir as cores, pra ver os diferentes sons e quase era possível tocar as luzes que iluminavam o salão todo. Mas assim que a nossa diva Ava Rocha apareceu foi ainda melhor, eu diria que arrebatador!! Não tem jeito, ela rouba a cena e consegue se encaixar no som com toda sua autenticidade.

Tudo era um improviso, muitos sons despertavam alguma familiaridade, onde foi se construindo algo novo, mas que também pode nunca mais ser reproduzido. No final, os goianos criaram toda uma atmosfera emocionante e muuuuito impactante, improvisando um som diferente, mas que levava a melodia de “Crescer”, penúltima faixa do último álbum Bacuri. Não sabia o que esperar, mas essa surpresa me agraciou, curando e libertando, de fato!

No final, mesmo com os pequenos atrasos que rolaram entre os shows, o Festival 5 Bandas entregou muita qualidade na organização como um todo, fazendo a experiência ser ótima. Sem perrengue, sem incômodo, muita estrutura, som de extrema qualidade e oportunidade interessante de conhecer gente boa para trocar sobre música 🙂


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