A sexta-feira (06) do Coala Festival teve performance épica, encontros consagrados e também despedidas

Foto por Felipe Andrade

10 anos da primeira edição do Coala Festival. 8º ano seguido que vou ao festival e pela segunda vez fazendo uma cobertura. A expectativa do anúncio do lineup dessa edição foi a maior de todas, todos esperando nomes gigantes da música brasileira. Após o anúncio, ouviu-se muitas reclamações de que as escolhas não estavam a altura da expectativa criada para essa comemoração de 10 anos. Mas quem realmente foi ao festival todos os dias com certeza aprovou! Aproveito para agradecer ao Kauã Nascimento que topou fotografar os shows para o Polvo Manco

Bora pros shows!

Sexta-feira (06)

Silvia Machete é RHONDA

Foto de Silvia Machete no Coala Festival 2024. Foto por Kauã Nascimento

Não tem como, Silvia Machete simplesmente diva master no palco com seu belo vestido com um caimento lindo que dançava levemente ao som de “Sentimental Thief”, faixa que abre seu mais recente disco “Invisible Woman”. Faz alguns anos que eu queria ver um show de Silvia, mas nunca dava certo, obrigado Coala Festival por trazer essa maravilhosa para o palco. Um ponto que vale relembrar foram as críticas que o festival recebeu nas redes sociais pela escolha de Silvia Machete, pessoas dizendo não conhecê-la (o que é normal), mas também desmerecendo o trabalho sem nunca ter ouvido.

Sexta-feira à tarde e muito calor dificultaram ter um grande público para este show, mas quem estava ali foi premiado! Em certo momento Silvia disse “Eu sei oq vocês estão pensando: essa mulher canta pra caralho!”, e era exatamente o que estávamos pensando. Pose total de diva, e ela é. Confiante, linda, presença de palco, tudo esplêndido! E o momento mais épico do festival ocorreu neste primeiro show do primeiro dia: Ela simplesmente bolou um beck no palco enquanto jogava bambolê e depois fez bolha de sabão diretamente com a boca. Ponto final.

Boca Livre

Foto da banda Boca Livre no Coala Festival 2024. Foto por Kauã Nascimento

O grupo carioca formado no final da década de 70 ainda está em forma. Ao redor, via-se um público misto, jovens e pessoas 50+, muitos filhos com seus pais e muita gente cantando clássicos da banda, como “Toada (Na Direção Do Dia)”, e outras regravações que fizeram, como “Amor de Índio” (Ronaldo Bastos e Beto Guedes) e “O Vento” (Los Hermanos). Mas “Panis et Circenses” (Caetano Veloso e Gilberto Gil) e Ponta de Areia (Fernando Brant e Milton Nascimento) foram duas das mais ovacionadas e que mais levaram o público a cantar junto.

Durante a apresentação, alguns momentos de microfonia incomodaram, mas o Boca Livre não se deixou atrapalhar por percalços e entregou um show lindo, e não tinha como não ser, pois todos são instrumentistas impecáveis e ótimos cantores. Confesso que esse show em um local fechado seria bem mais impactante, porém neste festival não deixou por menos, uma pena que nem todo mundo ali estava afim de assistir, alguns (ou muitos) queriam apenas conversar.

Lenine e Marcos Suzano

Foto de Lenine e Marcos Suzano no Coala Festival 2024. Foto por Kauã Nascimento

Este foi o primeiro grande show do dia em apelo com o público, para essa apresentação ouve grande movimentação, pois todos queriam ver de pertinho, e quem já viu Lenine ao vivo sabe que SEMPRE será incrível! Para o palco, a dupla, acompanhada por outros músicss, trouxe as canções do disco “Olho de Peixe” (1993), tocando na íntegra e na mesma ordem do álbum. É um clássico da música brasileira e também era fato que iria cativar os espectadores, muitas pessoas ao meu redor cantando a plenos pulmões, alguns até gritando na minha orelha.

O palco estava lindo, por ser no final de tarde e início da noite, a iluminação esplêndida fez total diferença. O último show que vi de Lenine foi um acústico ao lado do seu filho, uma atmosfera completamente diferente, mas esse especial para o Coala Festival foi espetacular! A banda simplesmente fantástica, todos com extrema destreza em seus instrumentos, isso abriu caminho para que Lenine e Marcos Suzano pudessem brilhar ainda mais.

Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes: Encontro
de mar e tempestade (por Aldi Eller)

Foto de Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes no Coala Festival 2024. Foto por Kauã Nascimento

No palco do Coala Festival, Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes entregaram mais do que um simples show: foi uma fusão de universos musicais. Adriana, com sua voz doce e melancólica, dançou pelas notas como se cada palavra fosse um sussurro do mar. Arnaldo, em contraste, trouxe a força de uma tempestade criativa, com sua presença intensa e letras que ecoam nas profundezas da alma. Juntos, eles formaram uma tempestade perfeita, onde calmaria e fúria coexistem em harmonia.

Os fãs estavam sedentos por esse encontro, e não saíram de mãos vazias. Adriana trouxe suas canções épicas, aquelas que são verdadeiros retratos da vida cotidiana, enquanto Arnaldo pintou o ar com suas palavras densas e potentes. A compatibilidade entre suas vozes parecia orquestrada pelo tempo, como se estivessem sempre destinados a dividir o palco. A energia que fluiu entre os dois e a plateia criou uma atmosfera quase sagrada, onde a música, por alguns instantes, se tornou algo maior do que arte: uma ponte entre o sentir e o ser. Um espetáculo onde as palavras e melodias foram as estrelas de uma noite inesquecível.

O Terno: “Ai ai, como eu me iludo”  (por Aldi Eller)

Foto da banda O Terno no Coala Festival 2024. Foto por Kauâ Nascimento

O último show do primeiro dia foi uma despedida marcante para os fãs d’O Terno, com a banda anunciando uma hibernação por tempo indeterminado. Tim Bernardes brincou com o público durante a apresentação, insinuando com um humor em tom duvidoso que a banda não acabaria. Mas, logo em seguida, desmentiu a possibilidade, confirmando que este seria o último show no Brasil por um longo período.

O público, fervoroso, cantava cada canção do setlist com precisão, em um coro afinado que se misturava à melodia da banda. Era como se, naquele momento, fãs e banda fossem um só, em uma comunhão musical de despedida. A iluminação, impecavelmente sincronizada com cada acorde e verso, acrescentou uma camada extra de emoção ao espetáculo. Quem esteve ali sentiu que recebeu o necessário para suportar a espera por um possível retorno da banda. Foi uma despedida envolta em incertezas, com a promessa velada de um reencontro, mas com a certeza de que essa pausa ficará marcada na história de quem viveu essa experiência única no Coala Festival.

Impressões da organização – Sexta-feira

O palco principal é beeem alto, isso atrapalha a visão de quem gosta de ficar na grade ou pertinho, além de dificultar o trabalho dos fotógrafos no pit. Mas esse fato do palco alto proporciona amplitude de visão, quem está lá no fundo do memorial consegue ver bem os artistas, então enquanto a isso não acho que seja um problema, mas confesso que o palco de 2022, com as passarelas nas laterais, foi mais interessante. Outro ponto que é sempre destaque é a decoração do palco, simplesmente linda como em todas as edições.

Os preços estão mais altos a cada ano, esse ano não teve cerveja, apenas chopp Amstel por 18 reais e você tinha que comprar o copo por 5 reais. Copo que era só do patrocinador e não aquele tradicional copo do Coala que todos fazem coleção. Bola fora não ter tido o copo do festival. Minha grande coleção não vai aumentar esse ano.

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