
O último dia de Coala Festival, assim como o sábado, estava quente, mas a poluição bizarra de São Paulo segurou um pouco o sol após o segundo show do dia. Ao ver o lineup por dia eu achava que os shows de sábado seriam os melhores, mas eu estava enganado, pra mim, no geral, gostei mais do domingo no final das contas. Aproveito para agradecer ao Kauã Nascimento que topou fotografar os shows para o Polvo Manco ❤
Bora pros shows!
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Mariana Aydar e Mestrinho

Sol muito forte e calor intenso, mas ninguém ali se acanhou e dançou muito ao som do forró aconchegante e envolvente da dupla Mariana Aydar e Mestrinho. Muita, muita gente desde o começo, a quantidade de público que se viu nesse show às 12h50 foi equivalente apenas ao terceiro shows dos dias anteriores, nas oito edições que fui nunca teve um primeiro show do dia tão cheio quanto esse. O entrosamento da dupla é excelente, afinal são muitos shows em conjunto ao longo do tempo, isso contribuiu para a apresentação decorrer sem erros.
Show muito animado, colocou todo mundo para dançar com clássicos do forró e baião, inclusive algumas do grande Luiz Gonzaga. Muitos pout pourri, inclusive com músicas que agitaram muito os espectadores, como “Meu Pedaço de Pecado” de João Gomes e “Pagode Russo” de Gonzagão, mas que muita gente conhece na voz de Alceu Valença. Apresentação linda demais para abrir o dia que teve os melhores shows do festival.
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Joyce Alane

A pernambucana fez estrago! Joyce Alane era um dos nomes que as pessoas comentaram nas redes sociais não conhecer, eu também não conhecia (apesar de já ter colocado uma música dela na playlist Polvo Indica Essa Semana em 2021, mas quem viu o show saiu impactado. A artista ganhou notoriedade após um feat na canção “Idiota Raiz” com o cantor João Gomes, agora ganhou ainda mais público em São Paulo que irá espalhar seu nome e obra por aí (dia 20/10 ela faz show na Casa Natura Musical em São Paulo, ingressos aqui).
Já na primeira nota vocal uma voz extraordinária e impactante reverberou por todo memorial, fiquei espantado, ali ela já me conquistou. Com domínio de palco, presença e simpatia, Joyce Alane fez seu nome com um belo espetáculo repleto de canções do seu primeiro disco “Tudo é Minha Culpa”, lançado em maio desse ano, e muitos fãs acompanharam cantando diversas delas. Um outro grande destaque do show foi a tecladista Tami Silveira que ajudou demais a conduzir esse show espetacular, recheado de piseiro, afrobeat, pop, pagodão e até R&B.
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Xande canta Caetano

Até então, nesse dia, era o show que as pessoas mais estavam aguardando, e posso garantir que ninguém se decepcionou. Xande de Pilares foi perfeito como sempre, alegre, animado, simpático e obviamente com a voz perfeita. No repertório, as canções do disco e até outras que não entraram no álbum, como “Reconvexo”, que foi a música que as pessoas mais cantaram juntos e “Força Estranha”, a minha preferida da apresentação. Show bem construído, banda muito talentosa, os arranjos das músicas impecáveis, com toda a cadência gostosa do samba, além de muita fluidez, que criou uma atmosfera deliciosa. A apresentação foi tão boa quanto achei que seria, bem de acordo com o que eu esperava, mas nada surpreendente.
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5 a Seco

A banda 5 a Seco foi a primeira atração do Coala Festival há 10 anos e essa apresentação marcou a volta do grupo, que estava em hiato desde o lançamento do disco “Pausa” (2019). Logo nas primeiras músicas o som não estava bem regulado, às vozes soaram abafadas pelo grave exagerado do baixo e da bateria eletrônica. Esse show, infelizmente, estava com um público menor que o anterior, mas quem ficou com certeza adorou a apresentação do quinteto paulistano que mesclou em seu repertório canções de todos os discos, como “Fiat Lux”, uma das minhas preferidas, e “Pra Você Dar o Nome”, a mais famosa e que levou o público ao delírio. Para esse show, a banda adaptou diversos arranjos, trazendo uma camada mais eletrônica para adequar-se melhor ao clima de festival, mas um grupo onde o maior foco sempre foram as vozes dos cinco em conjunto, os instrumentos terem ficado mais alto em boa parte do show não ficou tão legal.
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Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz convidam Luedji Luna

Eu estava presente no Coala Festival 2019 quando Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz se apresentaram. Naquele show, ainda com o maestro Letieres, a orquestra já demonstrou capacidade de mover montanhas. Nessa edição o show foi no Auditório Simón Bolívar, dentro do Memorial da América Latina, no polêmico Palco TIM (onde apenas uma quantidade limitada de ingressos foi liberada por causa da capacidade, muitas reclamações prévias, porém no final das contas todos os ingressos foram distribuídos, mas o auditório não ficou lotado).
A orquestra tocou músicas do disco “Maria Fumaça” da Banda Black Rio, um dos maiores álbuns já feitos no Brasil. A roupagem e assinatura dos arranjos foram feitas por Letieres Leite, mas os vinte músicos no palco deram conta do recado e foram impecáveis sem seu maestro, sempre com muito groove, ritmo, cadência e energia.
A participação da cantora Luedji Luna foi breve, mas impactante. Ao lado da banda, Luedji cantou seu clássico “Banho de Folhas”, já a vi cantar essa com diversos arranjos diferentes, mas esse foi simplesmente o melhor de todos! Ela ainda interpretou “Aqui e Agora”, de Gilberto Gil. Saí do show um pouquinho antes do fim, afinal essa apresentação conflitou horário com outras, mas saí feliz, impactado e com a certeza que não haveria nenhum show melhor que esse no festival, mas então saí desse e fui direto ver Timbalada e Afrocidade…
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Timbalada e Afrocidade

Também em 2019, a banda baiana Afrocidade subiu ao palco do Coala Festival pela primeira vez, àquela época, ainda não tão conhecidos na cidade de São Paulo, colocaram todo mundo pra dançar, inclusive eu, num calor e sol absurdos, então eu sabia que na edição de 2024 não seria diferente. Obviamente não foi, porém a apresentação foi amplificada pela força e energia do Timbalada.
As cores do palco e o telão eram extremamente coloridas e o figurino, minha nossa senhora, simplesmente impecável, que coisa mais linda, a identidade visual desse show foi surreal. Também surreal foi a entrega dos dois grupos, uma sinergia absurda, entrosamento divino, achei que deu muito mais liga do que Baianasystem com Olodum.
As músicas eram alternadas entre os grupos, porém todos participavam das canções do outro, achei isso muito legal. O Timbalada, um grupo marco na música brasileira, trouxe um pouquinho do carnaval para São Paulo, cantando músicas clássicas e também organizando as rodas para o pessoal pessoal pular. O Afrocidade, com seu pagodão, também não deixou ninguém parado. O ponto falho no show foi que em vários momentos os microfones de Fernanda Maia e Eric Mazzone, vocalistas do Afrocidade, estavam baixos, mas para mim não tirou o brilho desse show incrível!
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Planet Hemp

Coala Festival 2024 fechou com mais um show fábrica de hits, a apresentação que teve mais pessoas cantando juntas entre todas. Foi mais um que eu sempre quis ver e finalmente matei essa vontade, saí extremamente satisfeito. Show enérgico, um puro show de Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga com muita entrega de toda a banda. Marcelo D2 e BNegão não deixavam a galera respirar, era pauleira atrás de pauleira, roda atrás de roda. Diversos arranjos diferentes dos originais e com naipe de metais abrilhantaram a apresentação, e o público sempre vinha abaixo, eles sabem como agitar.
Entre os hits estavam “Mantenha o Respeito”, “Queimando Tudo” e “Legalize Já”, mas a música que mais me surpreendeu em nível de animação da galera foi “Samba Makossa” de Chico Science e Nação Zumbi, mas numa versão feita em homenagem a Chico e Chorão. Simplesmente ninguém respirou oxigênio, até o vendedor de pipoca tava dando um pega.
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Impressões da organização – Domingo
No domingo reparei mais nas pessoas que estavam trabalhando, tinha muita, muita gente em todas as funções, limpeza, bar, organização, dando informações, caixas e afins, as empresas terceirizadas fizeram um trabalho muito bom. As ativações eu confesso que nunca participo, mas é interessante ter o espaço da Mate Leão para o pessoal relaxar (apesar de bater sol) e também a Natura distribuir amostras de cremes e perfumes e o mais importante: liberar protetor solar para as pessoas usarem. Boas opções de comidas e drinks, apesar de eu não ter consumido nada. Como todo ano, a organização do Coala Festival se mostrou muito eficiente, sem grandes problemas e cada vez agradando mais o público.
E ao final do último show do último dia do festival rolou o já tradicional “roubo” das samambaias do Coala.
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