
RESENHA POR FERNANDA BORGES.
No último domingo (26), mais uma edição do Festival 5 Bandas tomou conta da Casa Rockambole. Entre uma organização impecável e um line-up emocionante, a nostalgia e a curiosidade instigante pairou pela casa.
Para quem acompanhou o Minuto Indie despretensiosamente para garimpar algumas bandas anos atrás e esteve presente desde as primeiras edições do Festival, vai entender (ou entendeu) a conexão e o sentimento que estava rolando ali.
Essa edição especial teve curadoria do time do Minuto Indie e do Festival Bananada, de Goiânia. O line-up contou com nomes como Vera Fischer era Clubber, Raça, Taxidermia, Black Drawing Chalks e Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo, além do Dj Set da Cavaca Records e da Cadalacéu.
Na pontualidade máxima, Vera Fischer era Clubber debutou a edição especial daquele jeito: com muito caos sonoro, experimentalismo e deboche em tom sério (ou o contrário também). Pairou um clima bem quente na pistinha e a curiosidade do público que lotou o espaço. E deu pra sacar que, se fechar a internet, certos problemas acabam, né? Após toda a polêmica sobre a participação da banda no Cultura Livre, a plateia do festival estava a todo vapor, dançando e cantando, do começo ao fim. Destaque ao groove frenético e hipnotizante da banda, sério, surreal. A internet não entendeu, mas a pista amou.

Em seguida, a banda Raça abriu o palco do teatro da casa. Com o setlist na íntegra do disco Saboroso, que completa 10 anos em 2026, a emoção e a nostalgia tomaram conta daquela tarde, transformando esse sentimento em algo vivo e presente. É foda pensar que uma banda que você acompanha há tempos está encerrando suas atividades. Definitivamente, esse show foi uma celebração agridoce do álbum e da trajetória da banda. lindooooooooo :’) 💐
Mesmo já chegando com certa expectativa que viveria o melhor show daquele dia, segui de volta para o palco da pistinha quente para assistir Taxidermia. O duo conta com a musa absurda Jadsa e o mestre João Meirelles. Sem dúvidas, todo show deles é hipnótico, texturizado e como deu pra perceber, é sinestésico também. No embalo das emoções anteriores, agora o público foi transportado direto para o futuro através de toda essa experimentação sonora-visual. Quem não viu e não ouviu ainda, procure saber.
De volta para o teatro, a Black Drawing Chalks retornou aos palcos com os dois pés no peito. Após alguns anos parados, os veteranos de Goiânia chegaram com o volume no talo; stoner rock purinho, torando na pura adrenalina, mas com uma elegância impressionante entre a densidade do som e o vocal rasgado do Victor. O BDC é um dos maiores nomes do rock independente nacional dos últimos anos. E para mim, foi de longe uma baita descoberta do dia.
E para fechar o line-up, a Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo entregou (mais um) baita showzão. Entre o caos controlado dos hits mais animados e a melancolia agitada das outras faixas que permeiam os dois álbuns da banda, eles sustentam com maestria todo o alvoroço da popularidade sem nunca deixar de lado o seu posicionamento na Cena. Quando eles tocaram Idas e Vindas do Amor, fui transportada diretamente para 2019 quando vi a sessions deles no Sala de Estar. Grandes momentos de nostalgia :’)

A organização foi impecável, cumprindo à risca os horários ~ótimo para um domingo, entregando uma cobertura em tempo real excelente. Fica o destaque para a baita equipe por trás de tudo.
Contudo, vale o toque para a Casa Rockambole: ao receber um público expressivo, é preciso manter o nível de entrega em todos os detalhes. Principalmente, precaver-se contra a falta de água nos banheiros e na rápida alternativa do momento, vale disponibilizar álcool em gel em pontos estratégicos da casa. E claro, a cerveja: em um dia quentíssimo, bebida quente é triste. Com esses pequenos ajustes necessários, os demais shows e festivais da casa vão ter experiências perfeitas, sonora e física.
Esta edição certamente deixou a sensação de um grande encontro entre amigos queridos em ritmo de férias. Dez anos após aquele que foi um marco para o indie nacional (grande 2016), nos resta seguir esperançosos, atentos e em movimento!!! Que a Cena continue se fortalecendo. E que a gente siga aqui, brindando às próximas descobertas 🥂 🍻 ✨